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que há tantas dúvidas sobre o comportamento do presidente eleito Donald Trump à
frente do governo norte-americano, nos recordamos do desaparecimento de um dos
líderes mais importantes da história mundial.

Kennedy foi um estadista na acepção da palavra. Apesar de
não possuir voz poderosa, notabilizou-se por uma oratória excepcional. Foi
preparado para brilhar nas tribunas. Alguns trechos do seu discurso de posse em
20 de janeiro de 1961 são excelentes exemplos da oratória universal. Um deles é
dos mais repetidos em todo o mundo.

"Por isso, meus compatriotas, não perguntem o que o seu
país pode fazer por vocês, perguntem o que vocês podem fazer pelo seu
país". Esse habilidoso jogo de palavras atravessou as décadas e chegou até
os nossos dias como se a mensagem acabasse de ser proferida.

Ao analisarmos a gravação do seu discurso de posse,
encontramos exemplos que se transformam em verdadeira aula da arte de falar em
público. Do princípio ao fim, temos uma enorme variedade de detalhes que podem
servir para o aprendizado e o aperfeiçoamento da comunicação.

Kennedy leu o discurso de posse. Como deveria mesmo ter
feito. A regra sugere que no discurso de posse são estabelecidas as bases da
administração que o presidente pretende empreender. Por isso, não convém que
fale de improviso, já que a mensagem precisa ser muito bem elaborada.

Durante a leitura do discurso, o presidente eleito foi
perfeito no contato visual com a plateia. Batia os olhos no texto e pronunciava
as palavras olhando para os ouvintes. Teve o cuidado de distribuir a comunicação
visual para todos os lados do auditório, fazendo com que as pessoas se sentissem
incluídas no ambiente.

A leitura bem-feita recomenda que o orador olhe para todos
os ouvintes. Não para ler a reação do público e tentar modificar alguma parte
da mensagem. Esse procedimento não será possível porque o texto está pronto e
não há como modificá-lo. Possibilitará, entretanto, que o orador use mais ou
menos emoção, de acordo com a reação da plateia.

A gesticulação na leitura não pode ser exagerada. Deve
acompanhar o ritmo e a cadência da fala. Kennedy agiu de forma apropriada.
Quando falava com mais firmeza, os gestos eram mais contundentes. Ao contrário,
quando se expressava de maneira mais suave, os gestos eram mais moderados.

Ele se valeu também de um bom recurso para ler seu discurso
de posse - recorreu aos gestos de marcação. Esses movimentos repetitivos à
frente do corpo não identificam o sentido da mensagem, servem especialmente
para marcar o ritmo da fala. Essa combinação do contato visual e os gestos de marcação
foi importante para projetar sua imagem de forma positiva.

Sem esforço, o presidente eleito pronunciou cada sílaba com
perfeição. Essa dicção esmerada e natural ao mesmo tempo, caracteriza-se como
subtexto importante para identificar a educação, o preparo, a boa formação do
orador. Alternou frases mais longas com outras mais curtas, facilitando assim a
compreensão dos ouvintes.

Quem deseja aperfeiçoar a comunicação tem no discurso de
posse de Kennedy um excelente exemplo. A composição do texto, a postura e a
gesticulação do orador, a comunicação visual, a pronúncia das palavras, o ritmo
da fala, as pausas bem medidas, a emoção adequada para o momento certo.

Hoje, 22 de novembro, quando nos lembramos do dia em que foi
assassinado, graças às gravações de seus discursos podemos ainda analisar toda
sua capacidade oratória. Kennedy foi um sedutor de plateias. Soube como poucos
magnetizar não só o povo norte-americano, mas boa parte da população de todo o
mundo.

Embora Trump tenha muita experiência para se comunicar, pois
teve atuação intensa em programas de televisão, jamais sua oratória poderá ser
comparada à de Kennedy. Mesmo aqueles que votaram no candidato republicano
devem sentir saudade do carisma, elegância e charme daquele que foi assassinado
num 22 de novembro há mais de 50 anos.

Superdicas da semana

·   O discurso de posse deve ser lido

·   A boa leitura recomenda que o orador mantenhacontato visual com a plateia

·  Os gestos na leitura devem ser moderados

·  As pausas ajudam bastante na interpretação do discurso lido

Fonte: Uol Economia

 

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