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Quando Adélia Prado subiu ao palco, na sexta-feira (27/10),
na 3ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, trouxe não apenas a sua arte, mas
também lições de vida. Falou com propriedade dos seus 80 anos de idade. Amor
verdadeiro, essência do ser humano e questões que compreendem a existência
foram apresentados da maneira que só Adélia poderia ressaltar.

A autora mineira é uma das homenageadas especiais do evento
literário, que prossegue até o próximo dia 30/10 no Estádio Mané Garrincha. Na
sexta, recebeu  as mãos do cartunista e
escritor, Ziraldo..

“Minha mãe achava o estudo a coisa mais fina do mundo e não
é. A coisa mais fina do mundo é o sentimento”, diz o poema “Ensinamento”, com o
qual ela abriu sua fala. Cerca de 200 pessoas ouviram atentamente a uma hora de
apresentação, em que Adélia conseguiu transmitir o retrato da condição humana
de ser limitado, dotado de defeitos, como inveja, soberba, medos e raiva, mas
também de virtudes, como carinho, compaixão, paciência e desejo.

O sentido da vida

Fazendo referências à pensadores como Jung, Freud e Tolstoi,
Adélia tornou o amor, sentimento mais profundo e palpável do que possam
imaginar os roteiristas de comédias românticas de Hollywood.

“O amor do outro confere existência às pessoas. Ninguém se
desespera por que não tem um carro, não pode comprar um sítio, não foi eleito
deputado, mas a gente se desespera se não achar sentido para a vida" - Adélia
Prado, poeta.

Segundo a escritora, todas as pessoas têm questões que
colocam à prova os motivos pelos quais vieram ao mundo. É da natureza humana
passar por estes questionamentos. “A consciência é o que nos diferencia dos
animais. É o que temos de mais belo, mas também é o nosso calvário”.

Para Adélia, a ausência de sentido na vida vem quando não
encontramos o amor dentro de nós, quando nos falta vida simbólica, crenças, fé.
A religião, a arte, a música, a poesia e os valores que se nutre cumprem este
papel, afirmou..

Os  bons e os maus
sentimentos

“Às vezes queremos fazer picadinho da mãe, é natural”,
afirmou, ao falar sobre o perdão e refletir a respeito da coexistência de
sentimentos maus e bons no ser humano.

“Moisés não inventou os mandamentos e nós não inventamos as
leis, elas existem como diretriz. Somos convidados ao amor sempre, ele está em
nós, ruim é o que nos impede de nos expressar" - Adélia Prado, poeta.

Por fim, Adélia mostrou que o que falta hoje em dia é a
atenção ao outro, a demonstração deste carinho real, se preocupar com o próximo
e saber lidar com os sofrimentos que se passa no percurso da vida.

Vida no interior

Nascida em 1935, Adélia possui um a simplicidade de quem foi
forjada em uma cidade do interior. Hoje, Divinópolis cresceu, mas a autora
nunca deixou seu local de origem. Ela iniciou sua carreira de poeta aos 15
anos, logo após a morte da mãe e foi apadrinhada por ninguém menos que Carlos
Drummond de Andrade.

Hoje, Adélia possui obras lançadas em poesia, prosa,
antologias, adaptações para o balé, para o teatro, traduzidas para o inglês,
espanhol, italiano. Seu trabalho tornou-se grande sucesso teatral com o
monólogo “Dona Doida”, interpretado por Fernanda Montenegro, em 1987. Também
ganhou a cena com “Dona da Casa”, adaptação que José Rubens Siqueira fez, em
2000, para “Manuscritos de Felipa”, lançado em 1999.

Choros, risadas e emoção

Houve choros, risadas e muita emoção. A plateia era composta
também por escritores e artistas da cidade, diplomatas, imprensa, membros do
governo. Deeram início à cerimônia o coordenador geral da Bienal, Nilson
Rodrigues, e o produtor Eduardo Cabral, seguidos pelo secretário de Cultura do
Distrito Federal, Guilherme Reis, e pelo deputado Chico Virgilante.

A atriz Tereza Padilha, do Teatro Mapati, encenou o poema
“Ensinamento”, como forma de ambientar o público e saudar a escritora.

Além de Adélia Prado, a 3ª Bienal do Livro e da Leitura de
Brasília vai homenagear também o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos
na quinta-feira (27/10). O evento também inclui atividades com cerca de 120
escritores convidados.

São sessões de autógrafos e lançamentos de livros, contação
de histórias, apresentações teatrais, além de shows musicais de artistas como
Chico César e Zizi Possi e nomes de destaque da música do Distrito Federal.
Confira a programação na página do evento no Facebook.

Fonte: Metrópoles

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